Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Vaidade Mórbida

Há semanas venho estudando alguma coisa para poder desenvolver meu próximo romance. A história toda deverá girar em torno da vaidade. Sim, o tema será exatamente este: vaidade esta vista por diversos e diferentes ângulos, sob seus múltiplos aspectos. A idéia é tentar mostrar que essa característica do ser humano, na realidade, é apenas mais um foco de conflito – ou seja, de infelicidade e de angústia.

E, de repente, leio a notícia sobre a bela modelo de 21 anos – meu Deus, que criança, ainda! – Carolina Reston Macan. A menina morreu, vítima de falência múltipla dos órgãos causada por uma deficiência global de nutrientes e, conseqüentemente, da resistência orgânica. Resumindo: morreu de fome.

Obviamente, a causa mortis seria essa: falência múltipla dos órgãos. Pelo menos é o que o legista – ou patologista – deve ter marcado em seu atestado de óbito. Mas a causa-base, o verdadeiro motivo de Carolina ter tão cedo deixado o convívio de seus parentes, amigos, admiradores e quantos mais tiveram o privilégio de vê-la, ainda que apenas em fotografias, não é outra senão a vaidade.

No caso, uma vaidade mórbida, que a levou a sacrificar de forma ultra-radical um dos prazeres da vida: o ato de comer. Simplesmente, a moça passou fome – voluntariamente – até morrer.

Porém, não a podemos culpar. A vaidade mórbida é uma doença e, como tal, teria de ter sido tratada.

A culpa seria, então de todos aqueles que a viram definhar e nada fizeram? Creio que também não. A culpa, a verdadeira culpada é a vaidade. Não a vaidade da própria Carolina – esta era um quadro psicopatológico – mas sim a vaidade de uma sociedade consumista como um todo, que não se satisfaz jamais e que obriga, que leva pessoas como essa modelo a prescindir de sua saúde – tanto física como psíquica – até chegar ao extremo da morte.

Certos estiveram os espanhóis que proibiram modelos excessivamente magras de desfilar. Se isso “pega”, teríamos uma forma – ainda que débil – de impedir que tantas jovens cheias de vida e de sonhos acabassem doentes.

Desta vez, no caso da pobre Carolina, a mídia se manifestou pelo menos um pouco mais do que de outras vezes. Tantas vezes, tantas mortes...

Talvez a sociedade consumista abra os olhos. Talvez deixe de dar tanta importância à vaidade e passe a dar um pouco mais de importância à vida.

Talvez deixe de consumir muitas jovens.
publicado por Jose Alpoim às 05:05
link do post | comentar | favorito
|

>Sobre o autor...

>Pesquisar neste blog

 

>Links Recomendados

>Posts Recentes

> O Sebo

> O Crime da Beleza

> Sobre o Livro Ninguém par...

> JUS ESPERNEANDI

> Não vai sobrar ninguém

> Mais um para ouvir nossas...

> Rotina matinal

> Vivendo o inferno

> Considerações sobre a Ami...

> Vaidade Mórbida

> Quinze minutos de fama

> Mudou de nome: a persegui...

> Sempre há esperança

> Brasil, uma grande lagoa

> Será que há algo errado?

> Silêncio Perigoso

> O Hatzinger que ruge

> LANÇAMENTO

> Padre João Barca - Contos...

> O Brasil é maior do que s...

> O atraso que vem de cima ...

> Nem sempre rima é poesia

> ESPERA NA ETERNIDADE

> Vaidoso, sim. E por que n...

> O Livro como Fonte de Ren...

> A Beleza Feminina - Conto...

>Arquivos

> Janeiro 2008

> Setembro 2007

> Maio 2007

> Março 2007

> Dezembro 2006

> Novembro 2006

> Outubro 2006

> Setembro 2006

> Agosto 2006

>tags

> todas as tags

blogs SAPO

>subscrever feeds

Add to Technorati Favorites