Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

O Hatzinger que ruge

E vamos aplaudir a teimosia! Aliás, a teimosia é uma atitude bastante esperada nas crianças e adolescentes que, justamente pela ainda pouca vivência, não são capazes de aceitar que há alguma coisa estranha quando todo um batalhão está marchando errado, com exceção de apenas um soldado.

Herr Hatzinger parece ser esse soldado e toda a cúpula do Vaticano está fazendo o papel da mãe do reco que, orgulhosa, diz: Vejam! Todos estão marchando errado, menos o meu filho!

O nosso Papa conseguiu recriar motivos para uma – agora sim, verdadeira – jihad. Não há no planeta um só islamita que não tenha se sentido profundamente ofendido por aquele seu desastrado pronunciamento em Regensburg. E é evidente que sinceros e justificáveis sentimentos de raiva e vingança emergiram fazendo com que o clamor inicial acabasse por se transformar em atos de violência.

Porém, nos dias de hoje, uma guerra santa não é movida apenas por conceitos religiosos, mas também por motivações políticas e econômicas que, justamente por estarmos no Século XXI, acabam por pesar mais nas ações e reações advindas de um incidente que, no frigir dos ovos, não deixa de ser uma excelente desculpa para acender o estopim.

Herr Hatzinger fez a besteira. Como uma criança, que fala sem pensar. Não contente, persistiu na burrice e está teimando em não se desculpar. Como um adolescente que não quer reconhecer o erro.

O resultado está aí: movimentação em torno das armas, todos prontos para usá-las contra o catolicismo.
Só contra o catolicismo? Só contra o Vaticano?

Não. As bandeiras queimadas em Basra não foram apenas as do Papa, mas também as de Israel – que nada tem a ver com Herr Hatzinger – e dos USA – cuja maioria populacional não é católica.

A guerra santa eclodirá entre o Oriente Médio – leia-se islamismo – contra o Ocidente, independentemente das religiões abraçadas.

As ameaças de ataques terroristas contra o Vaticano têm uma conotação diferente. Parece que ouvimos os líderes islâmicos – na verdade líderes políticos que seguem o Islã, ou dizem que seguem – falando: Vamos atacar o Vaticano para provocar a reação dos americanos.

Será que Herr Hatzinger não imaginava que aquele seu pronunciamento haveria de detonar uma reação desse porte por parte dos islamitas? Ou será que ele apenas quis testar o quanto de costas quentes ele tem?

Seria bom que algum desses cardeais que vivem no meio do luxo e intelectualidade do Vaticano soprasse no ouvido do Papa que o orgulho por não querer reconhecer o erro – e conseqüentemente, pedir desculpas – pode levar a conseqüências muito mais sérias até mesmo do que foi o 11 de Setembro. E, em algum momento desse conselho, tentar injetar na mente do Herdeiro de São Pedro, a idéia de que o rato, para rugir, tem de no mínimo estar bem defendido pelo leão. Aliás, pelo verdadeiro leão.
publicado por Jose Alpoim às 14:41
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